Exame de Admissão à Ordem dos Advogados
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A vida são peças de dominó em fila. Colocam-se por ordem de importância.
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Vila Real-Porto está decidido.
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A humildade do tamanho do mundo e a dor que é bem maior. É assim que se vive na casa que era do Leandro. Eu como não tenho palavras para vós, muito menos para ele, deixo-vos palavras de qualidade retiradas de uma reportagem do Jornal de Noticias. É este o nosso mundo.
"No santuário, que é agora a margem do rio que lhe guarda o corpo de 12 anos, há mensagens de colegas ("Adoramos-te, Leandro"); gritos de revolta ("Será que a sua dor nunca foi visível?"); apelos indignados ("Que ninguém seja presidente a fingir; tenham a humildade de se demitir!"). E há velas, muitas, vermelhas e brancas, cartazes com nuvens que choram, com flores que murcharam, com borboletas tristes. Dois ramos pendurados na árvore. E a fotografia do rapaz. Aquele santuário improvisado de desenhos e palavras parece o único sítio da história onde ainda cheira a infância. Há sol e silêncio. Há 15 dias chovia torrencialmente e, em vez da infância, havia gritos, crianças a comportarem-se como adultos, porque os adultos não viram, não estavam. Crianças a arriscar a vida para salvar a vida de Leandro, nome que o país sabe hoje de cor.
Leandro nunca se queixava
Há quase 15 dias era terça-feira. Leandro acordou mais tarde do que o habitual. "O tempo estava muito mau e ele só tinha aulas às 9.15 horas. Levei-o eu, no carro, em vez de ir de autocarro com o irmão, como de costume, às 7.15 horas. Ia contentíssimo", recorda a mãe, Amália, vestes negras, olhos pesados, voz embargada, saturada de contar a tragédia a tantos jornalistas que não lhe largam a porta, mas nunca a ter contado à escola, cujo director "nunca apareceu, nunca ligou", nunca explicou por que razão à hora de almoço daquele dia o filho estava no fundo rio e não no interior do estabelecimento.
"Ligaram-me nesse dia, eram miúdos. É a mãe do Leandro?, perguntaram. Então, venha depressa, que o seu filho caiu ao rio. Ouvi gritos, desliguei, saí a correr". O coração de uma mãe nunca está preparado para ouvir isto. Pegou no carro, as pernas a tremerem-lhe "como varas verdes", ela acelerar, o carro a plissar. Estacionou antes de chegar ao rio. "Vi uma colega no passeio, parei, pedi-lhe para ser ela a levar o carro". Quando, finalmente, chegou ao local, já era tarde. "Vi os miúdos, os bombeiros, não vi o meu Leandro. Perdi-o. Uma mãe não está preparada para isto, não está".
Amália está sentada à lareira. Acabou de chegar a casa, casa humilde, inacabada, na aldeia de Cedaínhos, a 15 quilómetros da cidade. Passou a tarde no curso profissional de geriatria. "Não posso ficar em casa, tenho mais dois filhos. Sabe Deus a dor e o sacrifício de cada dia, mas tenho de andar, tem de ser." Armindo Nunes, o marido que equilibra o orçamento com o que a terra dá, está ali de pé, mãos nos bolsos, mudo, quedo, hirto. Mesmo quando abre a boca para falar, as palavras não lhe saem. Acena com a cabeça, é com a cabeça que diz que a voz não sai. Desde que perdeu o filho, já foi para o hospital várias vezes. E Márcio, o gémeo, recusa falar. Abre uma única excepção para uma rajada antes de sair dali: "Batiam todos os dias no meu irmão, quase sempre os mesmos, a Sara e o Joel. E o Leandro dizia que ia fazer queixa, mas depois nunca fazia. Os funcionários não faziam nada porque também já tinham sido ameaçados com navalhas".
A mãe ouve e depois sorri devagarinho com a recordação de Leandro. "Ele era assim, tinha pena de toda a gente, não era de se queixar. Se lhe faziam mal, ficava triste na hora e logo a seguir passava-lhe. Se eu estava na cozinha e não precisava da ajuda dele, aquela criança era incapaz de me deixar sozinha. Trazia o computador para aqui e ficava a fazer-me companhia enquanto eu arrumava. Para ele ter feito o que fez, têm que lhe ter feito muito mal, muito mal, têm que o ter picado muito".
A família está a ser acompanhada por uma psicóloga do centro de saúde e da autarquia. E pouco diz sobre os responsáveis pela morte de Leandro. Dizem-lhes para esperar e eles esperam. Resignados. Mas Amália não resiste ao desabafo: "Os filhos dos professores têm dinheiro para andar em boas escolas; os nossos têm de ir para ali ser maltratados. Ainda dizem que ser pobre não é defeito?! É defeito e não é pequeno"."
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A votação termina amanhã, dia 24 de Março. Não sei bem a que horas fecham as urnas de voto, mas de amanhã não passa.
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Nas noites em que se pode ver televisão até tarde nunca dá nada de jeito e quando temos que nos deitar cedo parece que dá tudo aquilo que não conseguimos parar de ver.
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Autoscopia é definida como uma experiência em que uma pessoa enquanto acreditando estar acordada vê seu corpo, o ambiente e o mundo a sua volta como se estivesse fora do seu corpo físico.
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Todos os dias, sem excepção, como uma maçã depois de arrancar de casa. A duração da comidela é mais ou menos a mesma da viagem casa/escritório. Ainda bem que só é proibido levar o telemóvel na mão, não ia gostar de ter que parar o carro na berma da estrada para comer a minha maçãzinha.
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A manhã serviu, entre outras coisas, para ir tirar o passaporte.
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Já só faltam 12 dias e esta brincadeira pode-me render 3.000,00 €.
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O Professor Nogueira foi o meu primeiro professor. Há 20 anos. Como o tempo passa.
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O tempo corre demasiado de pressa e o que tenho para vos dizer exige tempo.
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Aproveito a data para felicitar as duas mulheres da minha vida pela sua perfeição enquanto seres humanos. Já agora, o meu muito obrigado por tudo.
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O menino que se suicidou com apenas 12 anos.
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Hoje passei por duas situações desagradáveis.
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"O poder judicial está empenhado em derrubar o primeiro ministro", diz Marinho Pinto e eu digo que ele está empenhado em arranjar tacho.
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Esta menina, que não passa disso mesmo, é minha amiga e tem cancro. Leucemia.
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Porque o sol está aí e eu quero o melhor para vós.
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Hoje o meu dia passa pelo interior daquele edificio.
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À noite nem me lembro dela, não me apetece nem chegar perto, só mesmo quando o sono me derruba.
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