quinta-feira, 10 de setembro de 2015

"Gente boa"

Um senhor sentado em cima de décadas e décadas de idade disse-me que conheceu bem o meu avô paterno. A vida roubou-me essa oportunidade. Ele partiu uns anos antes de eu chegar. Foi pena, havíamos de nos ter cruzado. Tenho a ideia de que nos íamos entender. Adiante. Disse-me esse homem com muitos capítulos de vida que o meu avô era "gente boa". Fui para casa a pensar naquelas duas palavras. É exatamente assim que quero que se recordem de mim um dia que eu diga adeus ao verbo viver. Quero ser lembrado como gente boa. Não há nada melhor que isso e poucos são os que conseguem essa bela distinção.

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Amigo,

hoje o chicote da vida bateu-te nas costas. O teu pai foi embora. Só tu sabes o quanto dói. Só tu. Sofre, tens esse direito, mas lembra-te que ele foi para melhor. Sim, para melhor. Estava a sofrer como ele não merecia sofrer e nenhum de vós, pessoas que são dele, mereciam a partilha desse sofrimento. Dizias-me tu, ainda com ele vivo, que nem um animal merecia aquele sofrimento. Ó amigo, a crueldade das tuas palavras espelham uma dor desmedida. O teu pai não a merecia.
Ele foi descansar orgulhoso de ti, que duvidas não restem. Eu sei que esta luta nunca vos viu as costas. Ele lutou enquanto teve forças e teve muitas, amigo. E tu, como é teu apanágio, estiveste lá, corajoso como sempre, capaz de virar o mundo do avesso, choravas sozinho, acredito eu, e ainda tinhas tempo de sorrir para os amigos. Demonstrando, portanto, uma força que poucos conseguem ter. Tu tens, há uma vida que sei disso, mas não sei quantos mais conheço que têm essa tua força. Se calhar nenhum. 
Sabes, agradeço a Deus ter um amigo como tu, um amigo que me chama irmão, um amigo que me mostra que a honestidade dos sentimentos vale mais que tudo o resto. Muito mais! E, acredita em mim, hoje a vida magoou-te, mas ela vai-te recompensar, tenho a certeza. Deus não dorme.
O teu pai vai descansar em paz e orgulhoso. Filhos como tu já quase não existem.

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Som de Cristal

Muito bom! O primeiro episódio, pelo menos, foi.
Vou esperar pelos outros, mas com a fasquia já bastante elevada. Culpa do Quim! O homem é um verdadeiro postal e não digo isto no sentido depreciativo. Longe disso. O Quim Barreiros é efetivamente uma figura nacional. Um senhor vivido, repleto de sucessos, e isto não pode ser posto em causa, goste-se ou não da sua música, com uma humildade que poucos artistas conseguem ter, especialmente os que são menos que ele. É um homem do povo, gosta da sua terra, preza a sua família, não fala com truques, diz umas asneiradas, trata do seu próprio negócio, não gosta daquele show off que qualquer artista barato faz questão, admite os seus erros, conhece os seus limites e ri muito, ri com uma facilidade que só está ao alcance dos que são realmente felizes. E, há que o dizer, tem um pai com noventa e seis anos - leram bem - que parece um rapaz novo. De invejar, portanto!
O Bruno Nogueira, que sempre mereceu o meu respeito no que toca ao humor nacional, dá-lhe aquela pitada de sal que deixa o programa no ponto. Não tem aquela piada parva. É light. Fala quando deve e sempre bem. É leve, quase nem se dá por ele e isso é que o torna bom no que faz. Ele dá o protagonismo a quem realmente o deve ter. O Bruno merecia mais televisão.

terça-feira, 25 de agosto de 2015

Refugiados

Ninguém está livre de um dia ter que pagar centenas ou milhares de euros pela sua própria morte. Amanhã podemos ser nós, com o pouco que nos resta, a implorar a um traficante de pessoas que nos deixe entrar num barco frágil, sem o mínimo de higiene, sobrelotado e com total ausência de mantimentos, isto porque a última coisa que temos é a esperança não de viver, mas de sobreviver.
Ninguém está livre de um dia ter que pagar para alimentar bocas que não são suas. Amanhã podemos ser nós a ter que partilhar com estranhos um espaço que é nosso, a ter que contribuir, com o pouco que temos, para que um desconhecido sobreviva, a ter que, de certa forma, condicionar o nosso viver para que outros possam sobreviver.
Nunca digas desta água não beberei. O caminho é longo, podes ter sede.

segunda-feira, 20 de julho de 2015

Galp On

A Galp começou a assediar-me no fim do mês de maio. No que ao gás natural diz respeito eu já era deles, mas eles queriam mais, queriam que a minha eletricidade fosse deles também. Foram quinze dias de pressão alta, de assédio intenso. Não resisti e aceitei. Era uma coisa simples e passados dois ou três dias eu deixaria de pertencer à EDP. Eles tratavam de tudo. Parecia um sonho.
A quinze ou dezasseis de junho mandaram o e-mail com as condições, eu respondi de forma afirmativa ao proposto e fim. Fim mesmo. A Galp desapareceu da minha vida. Nem uma, nem duas. Preocupado, passados uns dez dias e porque recebi a conta da EDP, liguei para a Galp. Informaram-me que efetivamente ainda não era cliente, que um problema tinha evitado que se concluísse o processo, mas que em dois dias, no máximo, isso estaria resolvido. Passados cinco dias volto a ligar para a Galp e confirmo que eu ainda não era cliente. Pediram-me mais dois ou três dias e deram-me a certeza de que o problema seria resolvido e o processo findo. Há uns dias lembrei-me eu da Galp, sim, porque a Galp nunca mais se lembrou de mim, e voltei a ligar para lá. Já tinha passado mais de um mês e eu ainda não era cliente porque um problema impedia que o meu processo fosse concluído. Maldito problema, que ninguém me conseguiu dizer qual era! Dividas não eram, que isso eu perguntei. Garanto!
O certo é que durante estes telefonemas, para além de ter gasto dinheiro, falei com cerca de dez funcionários diferentes e a única coisa que consegui foi dar sem efeito o meu pedido de adesão. Não consegui ser cliente da Galp! Eu tentei, juro. Tudo fiz para lhes entregar a minha eletricidade e não houve maneira.
No fim, e em jeito de desabafo, disse a quem me atendeu, que isto era inédito. O cliente começou por ser perseguido e acabou a perseguir a Galp, sem, contudo, conseguir atingir o objectivo de ser cliente. Ainda dizem que isto está mau, a Galp, por exemplo, recusa clientes. Não os quer!

quinta-feira, 9 de julho de 2015

"Não te preocupes comigo"

Pede-me tudo. Não me peças isso. Agora não. Agora não consigo não me preocupar contigo. Já consegui, infelizmente. É com vergonha que o digo, mas tenho que o dizer. Já preferi um estranho a ti, uma esplanada ao sofá de casa, um copo a um café contigo, um chegar tarde a uma conversa. E foi assim, sempre inconsciente, que muitas vezes te deixei em espera, que te ignorei, que não me preocupei contigo. Desculpa. Tu não merecias, nunca mereceste.
Felizmente o tempo, que pode não curar tudo, mas ensina muito, fez-me aprender a dar-te mais importância. Ainda mais importância. E foi assim, com o crescer dos anos e o amontoar de experiências que se criou a simbiose perfeita. Hoje sinto o que tu sentes, ouço-te mesmo que estejas em silêncio, vejo-te mesmo que estejas ausente. Partilhamos alegrias e partilhamos dores. Estas últimas temos mesmo que as partilhar, mas só porque não me é possível ser egoísta e ficar com elas para mim. Tu não as mereces. Tu mereces é andar de sorriso no rosto, brilho nos olhos e de coração cheio. Tu mereces tudo e vais ter o tudo que mereces. Prometo!

segunda-feira, 15 de junho de 2015

Odjo d'Agua

De Cabo Verde trago muitas coisas. Irei partilhá-las em breve.
Hoje quero ficar só pelo restaurante Odjo D'Agua. Dos mais belos, se não o mais belo que conheci. Digno de um filme de Hollywood, que poderia abrigar mil e uma cenas de amor, de suspense e até mesmo de terror. Ali, sentados de frente para um mar cristalino, viajamos com a mente enquanto o nosso paladar pula de alegria ao abraçar os sabores que ali vivem. Eu escolhi o atum, que foi só o melhor que já comi. É divinal. Quem fôr a Cabo Verde, à Ilha do Sal, tem que ir a Santa Maria ao restaurante, que é também hotel, Odjo d'Agua.
O melhor de tudo é que se come com pouco dinheiro, tendo em conta a qualidade e o cenário. O hotel, pelo que sei, é caro, mas o restaurante não. A minha refeição ficou em vinte euros. Imaginem isto no Algarve, em Lisboa ou no Porto. Quanto pagaríamos?

quarta-feira, 3 de junho de 2015

Manifestação infantil

A Policia de Segurança Pública aproveitou o Dia Mundial da Criança e criou uma espécie de manifestação infantil, com uns pequenos a fazerem-se de polícias e outros pequenos de manifestantes, estes últimos atiravam bolas de papéis aos primeiros. Foi isto. E o país revoltou-se, porque estávamos a incitar as crianças à violência, porque isto não tem pés nem cabeça, porque as fotografias tinham que ser apagadas, porque o autor da ideia devia ser despedido. Enfim, um espectáculo, dentro do próprio espectáculo, como que a querer dizer que aquela brincadeira, que não passou disso mesmo, vai mudar por completo a vida e o futuro dos intervenientes. Estas crianças vão ser a educação que lhes derem e não aquela tarde infantil. Não arranjem desculpas para possíveis e/ou previsíveis falhas no desenvolvimento delas, eduquem-nas.
Portugal está sensível, tão sensível que irrita. Meu Deus!

segunda-feira, 25 de maio de 2015

quinta-feira, 14 de maio de 2015

O gang da Constança

Gostava de poder dar um abraço ao Jorge. Foi um homem do caralho! Achincalharam-no, bateram-lhe, maltrataram-no e ele nem uma lágrima lhes deu. Foi maior que elas e que eles. Muito maior!
A Constança e o gang, gente a quem publicito a cara, só merecem ter uma vida solitária, infeliz, pequenina e sem objectivos. Que sejam mais uns no meio de tantos, mas sem qualquer importância. É o pior que lhes pode acontecer, porque os estalos passam e quando lhos derem vão criar a ideia de que já pagaram pelo mal que fizeram, o que é errado. Devem pagá-lo toda a vida, porque é esse o tempo que o Jorge vai carregar aqueles treze minutos no peito. Toda a vida!
São pais que não têm tempo, que não batem, que não dizem que não, que criam as Constanças. São pais que se lhes perguntarem onde estão os filhos eles não sabem. Não sabem, nem querem saber!
São estes os tempos modernos, onde vivemos no mundo virtual, onde um "gosto" vale mais que um abraço, onde um "remover amizade" substitui uma conversa presencial.
Infelizmente existem cada vez mais Jorges e Constanças, bem mais que os que são tornados públicos. Estejamos atentos, a intervenção de cada um de nós pode mudar uma vida para sempre.