segunda-feira, 14 de março de 2016

Nicolau Breyner

Portugal ficou mais pobre. Portugal ficou mais triste. O Sr. Contente partiu!
O coração não aguentou a força que venceu o cancro.

terça-feira, 1 de março de 2016

Estupidez não é deficiência

Quantas são as vezes que tenho que ir estacionar longe porque o único lugar que existe é este, o da placa azul com uma cadeira de rodas pintada? Quantas? Muitas. Tantas que já lhe perdi a conta. A verdade é que nunca, mas mesmo nunca, parei num lugar destes. Nunca! Nem para evitar baldes de água em dias de intempérie, nem para cargas e descargas. Tenho carta há catorze anos e esses lugares, com a graça de Deus, para mim são terreno proibido. Não piso!
Infelizmente, no mundo parvo em que vivemos, há quem pare num lugar reservado a deficientes só porque é o mais próximo do acesso ao edifício ou o mais espaçoso. Esse lugar parece sempre o melhor, essencialmente para quem vive uma vida recheada de ignorância, egoísmo e palermice. Há dias, não há muitos, vi duas princesas, cheias de saúde, estacionarem num destes espaços reservados só porque ficava mais perto do elevador e lá foram elas, ignorando o meu "tenham vergonha", enquanto compunham o cabelo e ajeitavam as carteiras. Porra, tinham lugares a cinco metros daquele, e não, não estou a exagerar, mas cagaram bem neles. Neles e em mim!
Custa assim tanto respeitar? Não pensam que pode chegar alguém com dificuldades motoras e que, para além de ficar mais longe, terá dificuldade em abrir as portas pois que os lugares comuns são mais apertados? Não colocam a hipótese, até porque a vida dá muitas voltas, de que um dia poderão realmente precisar daqueles lugares?
Aguardo pela comercialização do autocolante que diz "A estupidez não é considerada deficiência. Estacione em outro lugar". Vou comprar muitos, tamanho A4 de preferência, e usar sempre que possível. Este tipo de gente merece!

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Gomorra

Era domingo. Eu, de mão dada com o comando, passeava por entre os canais da minha televisão. Cruzei-me com um que raramente vejo, RTP2. Verdade seja dita, é muito raro dar-lhe atenção. Certo é que ouvi falar italiano e vi prisões. Duas coisas que eu adoro. É verdade. A língua fascina-me, acho-a apaixonante. As prisões prendem-me a atenção. Interessa-me saber o motivo e a forma como se vivem. Parei e vi os meus primeiros cinco minutos de Gomorra. Apaixonei-me. Uma série italiana sobre a máfia. Tinha tudo para ser boa! E é. Nada de atores conhecidos, nem grandes cenários. É simples, mas intensa. Faz-me prender à televisão todos os domingos por volta das vinte e duas horas. Durante cinquenta minutos eu estou em Nápoles, perto do Dom Pietro!

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Vou voltar a escrever

A minha última publicação foi em novembro, dia vinte e quatro. Só vi agora. O tempo voa e enquanto ele voou eu esqueci-me do blog. Ou melhor, eu lembrei-me, mas fui adiando, não sabia era que tinha adiado tanto. Mais de dois meses sem escrever. Deve ser novo máximo de ausência. Alguns de vós já pensavam que eu tinha batido com a porta e atirado com a chave aqui do sitio para alto mar. Não, não fiz isso. A porta continua aberta e bem aberta. Prometo reanimar a minha escrita, acordá-la deste coma induzido. Vou voltar a escrever!

terça-feira, 24 de novembro de 2015

Adega Faustino

Não falo em todos os restaurantes onde vou, mas não ficaria de bem com a minha consciência se não falasse deste. A Adega Faustino, em Chaves, merece ser visitada. Melhor, tem que ser visitada. O edifício faz-nos viajar no tempo, andamos para trás, muito para trás; o chão feito em calçada; as mesas, as cadeiras e os bancos trabalhados numa madeira despreocupada; o balcão enorme, com sessenta anos de vida; as pipas, imponentes e experientes, como pano de fundo; o teto de madeira, alto, bem alto; a louça sem caprichos, simples, porque comida boa não exige louça trabalhada e ali a comida pode vir em pratos básicos porque se derrete na boca, o vinho pode ser servido em copo sem pé, porque é muito bom, e as sobremesas parece que saíram dos fornos de nossas mães. É de comer e chorar por mais. É de se passar lá a tarde, com os joelhos debaixo da mesa, rodeados de gente boa, os funcionários e os proprietários fazem-nos sentir parte daquilo. É tão bom!
A conta? Quinze/vinte euros de barriga cheia.

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Sublime - Love Stories

                                  
Infelizmente ainda serão mais os que não conhecem, do que os que conhecem a Sublime - Love Stories, mesmo tendo presente que os que conhecem já são muitos. É normal, até porque o projeto é recente, mas com o tempo esta situação vai inverter-se, acreditem. 
                                   
Quem trabalha com qualidade tem tendência a ser reconhecido e esta gente merece ser aplaudida de pé. O bom gosto está presente em cada flash, em cada frame. Estes são daqueles que vestem a camisola e sentem o símbolo. Deixam tudo em campo e, melhor, o campo deles não tem limites definidos, correm sem parar e vão a todo o lado. Norte a sul, este a oeste.
                                    
Aos que duvidam da minha palavra, que depois de vistas as imagens serão bem poucos, aconselho uma visita ao facebook e ao sitio deles na internet. É entrar e viajar. Vá, sejamos honestos, todos devem visitar. Quem ficar de fora vai ficar prejudicado e isso não é justo.
                                             
Sublime - Love Stories, todas as histórias da amor merecem ser guardadas com requinte.

terça-feira, 27 de outubro de 2015

Este nosso Portugal

Enquanto espero na fila de uma caixa multibanco observo. Uma mãe jovem, com trinta, se calhar menos. Uma filha recente, com três, quatro anos, no máximo. A progenitora, sem largar a mão da cria, escolhe o tema levantamentos e seleciona a categoria dos sessenta euros. A máquina nega-lhe a intenção. O cartão sai de mãos dadas com duas ou três lágrimas. Pede à filha para andar. Evita explicações, tem plateia. A pequena, de olho arregalado, pergunta se a máquina está "istagada". A mãe diz-lhe que sim, que está "istagada". E seguem, com duas mãos dadas e outras duas a abanar. Está assim este nosso Portugal.

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Esse mal chamado cancro


Uma epidemia.
Quem, nos dias que correm, não tem “alguém” com cancro? Um familiar, um amigo, um conhecido. Todos temos. Esta verdade gelada não merece discussão, é um dado adquirido. O cancro é parte integrante das nossas vidas. Hoje, por exemplo, o mundo inteiro sabe do que se trata a expressão “está a fazer tratamento”. Isso é mau sinal. Tão mau sinal. Esse sinónimo de banalidade é assustador. Essa linguagem faz parte do nosso quotidiano. E nós nem conta damos. Esse mal entrou nas nossas vidas em bicas de pés, para não nos acordar, e anda de olhos vendados para não encontrar a porta de saída.
Não escolhe sexo, nem idades, nem carteiras. Pode acontecer a todos. Mentalizem-se disso, mesmo os fiéis seguidores do “só acontece aos outros”. Infelizmente todos nós estamos sujeitos a carregar esta cruz. Outra coisa, podem apontar, esta luta não se resume ao doente, espalha-se por todos os que o amam. Nunca duvidem disso. É uma bomba que cai numa casa, que destrói uma família, que arrasta pelas ruas da dor todos os que partilham sentimentos nobres, para além do doente, que esse, coitado, anda puxado pelos cabelos em paralelos afiados pelo pior dos sofrimentos, físico e psicológico. Sim, nem todo o sofrimento do doente cancerígeno se vê, a maior parte é silencioso, vive na cabeça do portador do mal.
Aos doentes fica a esperança, que tem que ser sublinhada, de sucesso. São cada vez mais os que vencem esta batalha. O cancro não é imbatível. A medicina, os seus praticantes, o doente e os seus familiares, todos juntos, são capazes de verdadeiros milagres. Acreditem. O querer viver é a base do sucesso. Falar é fácil, eu sei, mas nunca desistam, nem mesmo nos momentos em que tudo à volta é escuro como breu. Não é fácil, é verdade, mas não ser fácil é bem diferente de ser impossível.
Aos que sofrem tanto como o doente, não no corpo, mas na mente, pede-se uma presença constante, uma mão dada com todos os minutos de amargura. Sozinho o doente é presa fácil, com os que o amam por perto a luta fica meia ganha. Apontem nas vossas notas mentais que nunca uma guerra foi vencida por um homem só. Sejam o exército do general acamado. Lutem, tanto ou mais que ele. Lutem até tocarem no peito da vitória, aí parem, abracem-se e desfrutem do sabor da conquista.

O cancro é assustador, tem uma força indescritível, mas há coisa que nunca terá. O brilho da vida! Por muito grande que seja a doença, nunca será do tamanho da vida. Lembrem-se sempre.

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Ensino Superior

Lembro-me como se fosse hoje e já tantos anos passaram por cima daquele primeiro dia assustado. Não conhecia nada nem ninguém. Sozinho numa cidade que não era a minha. Longe do conforto da minha casa. Distante, tão distante, dos cuidados dos meus pais. Comigo só tinha uma certeza, o curso. Era aquele. Sempre foi. Direito!
Eu, ao contrário de muitos, queria ter ficado na minha terrinha, mesmo sabendo que isso não era sequer opção. Sempre fui pouco aventureiro. Não queria ruas, nem gentes que eu não conhecia. Obrigado a isso, lá fui, temeroso e de malas feitas para a cidade Invicta.
O caloiro atravessou os portões da universidade de olhos postos em tudo, tendo como principal objetivo passar despercebido. Coisa difícil para quem é novato. Devia sentir-se ao longe o cheiro de estreante, mesmo que este fosse de jornal dobrado, metido por baixo do braço, a dar um ar de homem adulto e batido. O sossego durou trinta minutos. Os “doutores” interpelaram-me e deram início à minha praxe. Bastante tranquila por sinal. Aceitei-a de braços abertos, usei-a para conhecer colegas e amigos, alguns deles que ainda hoje guardo comigo. Gente para a vida! Tenho comigo que a praxe parte dos “doutores”, mas deve ser definida pelos caloiros. O caloiro não tem, não deve, nem pode aceitar tudo. Deve, isso sim, aproveitar o que de melhor ela tem para oferecer, estabelecendo-lhe sempre limites. Se assim for é perfeito e essencial para todos os que estão a começar a sua vida académica.
O equilíbrio que a vida estudantil exige nem sempre está ao alcance de um adolescente com dezassete, dezoito ou dezanove anos. Por mim falo. Faltou-me o equilíbrio. As noites pareciam-me mais fáceis que os dias. Os bares suportavam-se bem melhor que as aulas. As discotecas era sítios bem mais agradáveis que a biblioteca. Tudo era melhor quando o sol se punha. Era melhor porque eu me desequilibrei. Sozinho numa cidade grande, que tanto tinha para me oferecer e eu sem capacidade para lhe dizer não. O tempo passou e eu nem conta dei. Esqueci-me dos livros e das aulas. Perdi a noção da realidade, do que era importante e, isso é o mais importante, perdi a noção de que há tempo para tudo.
Esta é uma nota que merece um parágrafo. Há tempo para tudo. Há tempo para as aulas, há tempo para estudar, há tempo para os amigos, há tempo para as jantaradas, há tempo para os copos e há tempo para as noitadas. Só de pensar que em maio estava de férias e só voltava em setembro ou outubro. Três ou quatro meses de férias. É muito tempo de boa vida! E para estudar são apenas duas alturas do ano, três no máximo, vá, se a coisa correr mal.
Ser universitário é atingir o ponto alto de uma carreira, a de estudante. É ir mais além nos estudos. É tocar na ponta da pirâmide académica. É um tempo que deve ser sentido e vivido, passa num instante e deixa saudades, acreditem. Aproveitem a praxe, selecionem os amigos, cresçam enquanto seres “independentes”, porque nas universidades os encarregados de educação não assinam folhas, e organizem o vosso tempo. Formem-se enquanto alunos, mas não se esqueçam de se formarem enquanto seres humanos.

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Everest

Tinha que ser bom. É baseado em factos reais. E é mesmo bom!
As paisagens e a sonoridade sugerem cinema. Em casa não vai ser a mesma coisa.
Vejam e façam por entender o coração de cada um dos intervenientes. É esse o truque.