quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

Ronaldinho Gaúcho

Chegou a hora de colocar o ponto final numa das mais belas páginas do futebol mundial. Ronaldo de Assis Moreira decidiu despedir-se do futebol aos trinta e sete anos. Ronaldinho pendurou as botas e deixou os amantes da bola de luto. Acabou de partir e já sentimos a falta dele. Não iremos esquecer nunca aquele sorrisão, o cabelo comprido, as fintas, os golos e a forma como a bola se aninhava carinhosamente junto do seu pé direito. Não conheço outro que misturasse a magia e a simplicidade como este. Um mágico cheio de humildade. Humilhava com respeito. Outros grandes nomes ficarão na história, mas nenhum fará sorrir os adeptos como este. Feliz de mim que vou poder contar a um filho quem foi o Bruxo, como era ele com a bola, falar-lhe do golo à Inglaterra ou em Stamford Bridge, dizer-lhe que um dia o Bernabéu o aplaudiu de pé, explicar-lhe como ele fazia os elásticos, as bicicletas, as pedaladas e as cuecas,  fazê-lo acreditar que chegou a dominar a bola com as costas, que olhava para um lado e passava para o outro, e que nunca, mas mesmo nunca, tratou mal o futebol, nem os seus protagonistas. Feliz de mim que testemunhei o namoro desta lenda com a bola. Quem ama o futebol, ama o Ronaldinho Gaúcho!

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

Voltei

Vi que em dois mil e dezassete usei este blog três vezes. Três publicações num ano é assustador. Então se me lembrar que em dois mil e onze publiquei quatrocentas e quarenta e sete vezes a coisa fica mesmo sombria. Quase fúnebre! Decidi voltar, ressuscitar este blog, com a plena consciência de que a onda dos blogs já rebentou há algum tempo. Como nunca vivi disto, continuará a ser o que sempre foi, o meu cantinho, com a porta sempre aberta para quem me quiser ler. E é isto, voltei!

domingo, 19 de março de 2017

Pai

Quando digo que quero ser como tu, é em tudo, mas mais que tudo como pai. Quero ter defeitos, como todos, mas quero ter virtudes como poucos. Quero ter um coração grande, que pode ser mole quando mo merecem e duro quando tem que ser. Quero ser um amigo, que bate nas costas quando for preciso e na cara quando for merecido. Quero ter sempre calma para encontrar uma solução, mesmo quando o problema me leve a paz do pensamento. Quero saber dizer sim da mesma forma que digo não. Quero ser o melhor amigo, sem nunca deixar de ser pai. Quero estar próximo, mas manter distâncias. Quero amar por gestos e palavras, mas mais por gestos. São eles que ficam! E nós, meu velho, somos de palavras, mas mais de gestos. Se fossemos só de palavras, com estes nossos feitios, não era fácil. Só o é porque eu te amo e sei que tu me amas ainda mais. E o bonito disto é que nos amamos assim, como somos, como tem que ser no amor. Amo-te, meu Paizão!

quarta-feira, 8 de março de 2017

António Raminhos

Nunca foi um nome de referência no humor nacional e, mesmo que não pareça, já por cá anda há uns anos. Teve umas aparições aqui e acolá, num ou noutro programa de televisão, mas nada de extraordinário. Longe de um Ricardo Araújo Pereira ou de um Bruno Nogueira. Bem longe! As redes sociais deram-lhe alguma projeção, a partir do momento em que foi pai começou a direcionar o seu humor para as crianças e assim foi parar às manhãs da RFM, mas muito sinceramente anda longe daquilo que se exige para se ter um programa diário. É a minha opinião, vale zero, eu sei, mas não deixo de a ter. Já tentei ouvi-lo, juro, mas acabo sempre por mudar de emissora. Não cativa! É fraquinho!

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Obama

É uma fotografia sem filtros. São lágrimas. É um homem. É o presidente dos Estados Unidos da América. Barack Obama! No cenário politico vai deixar saudades. Não, não construiu o país perfeito, mas melhorou-o. Fez do mundo um sítio melhor para se estar. Deu o que tinha! Foram oito anos raros. Sem polémicas, sem corrupção, sem escândalos, sem jogos de bastidores. É este exemplo que lhe guardo enquanto político. Não foi perfeito, certamente, mas foi sério, foi honesto! Dançou com o povo, beijou as filhas, declarou-se à mulher, cumprimentou os empregados de limpeza, bebeu cerveja, comeu hambúrgueres e dominou o mundo. Conseguiu ter o mais importante cargo político e continuar humano. Foi um homem capaz de manter a mulher e as filhas por perto, capaz de entender que nada no mundo é mais importante que aqueles que nos amam, nem mesmo o poder que o seu cargo lhe transfere. Fica o exemplo para todos, mesmo para os apolíticos. Obrigado, Presidente!

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Allepo

A principal cidade da Síria conta com mais de dois milhões de farrapos humanos. Tudo começou há quatro anos. A corrupção e a ditadura foram os principais impulsionadores desta guerra que teima em não terminar. A Rússia quer manter o ditador Assad, os Estados Unidos são contra ele. Feito o resumo rápido e espremido, quero lamentar-me. Mais de quatrocentas mil pessoas já morreram e quase cinco milhões foram obrigados a deixar as suas casas. Quase catorze milhões de pessoas precisam de ajuda humanitária, seis milhões são crianças. Para além de assustador é inimaginável. Acorda, mundo!

terça-feira, 29 de novembro de 2016

Chapecoense


Hoje somos assim. Crianças sentadas na Arena Condá, em Chapecó, com a camisola da Associação Chapecoense de Futebol, caladas e de coração apertado. Caiu um avião cheio de vidas, de sonhos, de projectos e de sorrisos. Ficou a dor, a angústia e o vazio. A história não vai esquecer o que de bom fizeram todos os homens que hoje caíram dos céus e Deus tratará de os levar novamente para lá. Tenho a certeza! Aos jogadores, à equipa técnica, aos diretores, aos jornalistas e aos tripulantes. Paz para os que partiram, coragem para os que ficam.

segunda-feira, 4 de julho de 2016

Camilo de Oliveira

Cresci com o Camilo. Ele velho e eu novo. Nunca o conheci de outra forma e ele nunca me conheceu a mim. Uma pena! Passaram mais de trinta anos. Foi quanto duramos juntos, mas não o vou esquecer. Sabia-o de cor. Aquele jeito de boa pessoa e o seu humor. Dono de piadas finas, testemunhas da sua inteligência. Viveu a vida a bem, sem maldade, nem protocolos. Era o que era. Era o Camilo, o pai do Alberto, o Presidente. Foi um pilar do meu passado. Era parte da boa disposição de Portugal. O seu adeus prova que a vida não pára. O seu adeus é a nossa velhice. O Camilo foi, o sorriso do Camilo fica. Ficará para sempre!

terça-feira, 28 de junho de 2016

Bud Spencer

Descansa em paz. Oitenta e seis anos depois a lenda parte, mas as recordações ficam. O meu pai ensinou-me a gostar deste gordo barbudo, com um jeito bruto, mas puro. Comia e batia de forma deselegante, mas sempre com vontade. Os feijões e os murros de Bud Spencer serão eternos. Partiu com uma história que poucos conhecem, para além dos cinemas, claro. Medalhado pelo seu país, Itália, em natação. Foi o primeiro italiano a nadar cem metros em menos de um minuto. Foi campeão nacional de polo aquático, pela Lázio. Dominava seis línguas e tinha o curso de Direito. Foi ator e realizador. Um homem cheio, portanto. Até sempre, Bud!