terça-feira, 26 de abril de 2016

5 minutos fazem a diferença


Seis em cada dez condutores portugueses admitem que já estacionaram em cima de um passeio ou de uma passadeira. Eu, infelizmente, tenho que me incluir num destes seis palermas. Aquela história do é só ir ali e venho já, ligo os quatros piscas e não demoro, é conversa fiada. Estorva sempre. Seja um minuto, sejam cinco. É proibido por algum motivo. Os passeios e as passadeiras são para os peões, a estrada é para os carros, para as motas e para as bicicletas. Ponto final!
Este vídeo, que mais não é que uma chamada de atenção a todos aqueles que se julgam mais inteligentes que os demais, é uma forma de lembrar quem conduz que nem todos andam de carro, muitos andam a pé e outros, infelizmente, nem assim conseguem andar.

sexta-feira, 22 de abril de 2016

Prince

O corpo desaparece, mas o Prince fica. Ele e a Purple Rain serão eternos. Tenho a certeza.

sexta-feira, 15 de abril de 2016

Quimioterapia

Conversa num corredor do trabalho.

- Boa tarde. Tudo em ordem? Essa saúde?
- Está tudo bem.
- Que maravilha!
- Já vou segunda.

Afinal era verdade. Vai mesmo fazer quimioterapia. Pensei eu calado a olhar para uns olhos desesperados e carregados de medos. Da cirurgia eu sabia. Disse-me que tinha corrido bem. O resto, relativo a ele, pensei eu que era falatório. Afinal não, era verdade. Um homem sossegado que só precisava de continuar sossegado e a vida não está a deixar.

- Vai correr tudo bem. Fique tranquilo!
- Vai, não vai?
- Não duvide. 
- Obrigado!
- É um sacrificio. Um caminho difícil, mas que vai valer a pena.
- Obrigado, muito obrigado. Bom fim de semana. Obrigado.
- Bom fim de semana. Descanse!

E lá foi ele, virado de frente para o fim de semana e para a quimioterapia. Que sábado e domingo terá um homem que tem o seu primeiro tratamento, sentado à espera, na segunda-feira? Nenhum. Absolutamente nenhum! Porra. Isto não se faz. Ninguém merece isto. E nós, nós que podemos ser felizes, porque segunda-feira não teremos mais que um dia de trabalho, não valorizamos a próxima segunda-feira, nem nenhuma outra que seja apenas mais um dia de trabalho e devíamos. Tomara este homem que segunda-feira fosse apenas mais um dia de trabalho, nem que fosse um dia cheio de problemas no trabalho. Tenho a certeza disso e não lhe perguntei.

quinta-feira, 31 de março de 2016

Assalto a Londres

Longe de ser uma obra prima do cinema. Longe de ser um filme épico. Longe de ser uma película que será eternamente recordada. Longe de tudo isso, mas perto da realidade. O que deve ser sempre valorizado por quem assiste. Por mim falo, claro. É um bom filme. Bom de se ver! Fala-nos de um tema atual, o terrorismo. Retrata-o e leva-o a um patamar que felizmente nunca foi visto. É demasiado assustador e relativamente fácil que a ficção vire um dia realidade. Esperemos que não, como é óbvio, mas se isto servir de alerta para cada um de nós e, acima de tudo, para os que se sentam nas cadeiras do poder, não é nenhuma parvoíce. Acreditem.

quarta-feira, 16 de março de 2016

O último ano do Tua


É assim que uns homens esmagam outros, com passos precisos e pesados.
Vão matar o Tua, vão afogar o vinho, vão enterrar gente que ainda respira.
Se evoluir é isto eu quero parar no tempo. Quero ficar onde estou, ou andar para trás. Lá trás era tudo melhor. Tudo! Hoje a vida é um negócio, o dinheiro é um sentimento e as pessoas, as pessoas deixaram de ter valor. Pena que muitos se esqueçam que a terra que hoje consomem, vai ser a que amanhã os mastiga.

segunda-feira, 14 de março de 2016

Nicolau Breyner

Portugal ficou mais pobre. Portugal ficou mais triste. O Sr. Contente partiu!
O coração não aguentou a força que venceu o cancro.

terça-feira, 1 de março de 2016

Estupidez não é deficiência

Quantas são as vezes que tenho que ir estacionar longe porque o único lugar que existe é este, o da placa azul com uma cadeira de rodas pintada? Quantas? Muitas. Tantas que já lhe perdi a conta. A verdade é que nunca, mas mesmo nunca, parei num lugar destes. Nunca! Nem para evitar baldes de água em dias de intempérie, nem para cargas e descargas. Tenho carta há catorze anos e esses lugares, com a graça de Deus, para mim são terreno proibido. Não piso!
Infelizmente, no mundo parvo em que vivemos, há quem pare num lugar reservado a deficientes só porque é o mais próximo do acesso ao edifício ou o mais espaçoso. Esse lugar parece sempre o melhor, essencialmente para quem vive uma vida recheada de ignorância, egoísmo e palermice. Há dias, não há muitos, vi duas princesas, cheias de saúde, estacionarem num destes espaços reservados só porque ficava mais perto do elevador e lá foram elas, ignorando o meu "tenham vergonha", enquanto compunham o cabelo e ajeitavam as carteiras. Porra, tinham lugares a cinco metros daquele, e não, não estou a exagerar, mas cagaram bem neles. Neles e em mim!
Custa assim tanto respeitar? Não pensam que pode chegar alguém com dificuldades motoras e que, para além de ficar mais longe, terá dificuldade em abrir as portas pois que os lugares comuns são mais apertados? Não colocam a hipótese, até porque a vida dá muitas voltas, de que um dia poderão realmente precisar daqueles lugares?
Aguardo pela comercialização do autocolante que diz "A estupidez não é considerada deficiência. Estacione em outro lugar". Vou comprar muitos, tamanho A4 de preferência, e usar sempre que possível. Este tipo de gente merece!

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Gomorra

Era domingo. Eu, de mão dada com o comando, passeava por entre os canais da minha televisão. Cruzei-me com um que raramente vejo, RTP2. Verdade seja dita, é muito raro dar-lhe atenção. Certo é que ouvi falar italiano e vi prisões. Duas coisas que eu adoro. É verdade. A língua fascina-me, acho-a apaixonante. As prisões prendem-me a atenção. Interessa-me saber o motivo e a forma como se vivem. Parei e vi os meus primeiros cinco minutos de Gomorra. Apaixonei-me. Uma série italiana sobre a máfia. Tinha tudo para ser boa! E é. Nada de atores conhecidos, nem grandes cenários. É simples, mas intensa. Faz-me prender à televisão todos os domingos por volta das vinte e duas horas. Durante cinquenta minutos eu estou em Nápoles, perto do Dom Pietro!

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Vou voltar a escrever

A minha última publicação foi em novembro, dia vinte e quatro. Só vi agora. O tempo voa e enquanto ele voou eu esqueci-me do blog. Ou melhor, eu lembrei-me, mas fui adiando, não sabia era que tinha adiado tanto. Mais de dois meses sem escrever. Deve ser novo máximo de ausência. Alguns de vós já pensavam que eu tinha batido com a porta e atirado com a chave aqui do sitio para alto mar. Não, não fiz isso. A porta continua aberta e bem aberta. Prometo reanimar a minha escrita, acordá-la deste coma induzido. Vou voltar a escrever!

terça-feira, 24 de novembro de 2015

Adega Faustino

Não falo em todos os restaurantes onde vou, mas não ficaria de bem com a minha consciência se não falasse deste. A Adega Faustino, em Chaves, merece ser visitada. Melhor, tem que ser visitada. O edifício faz-nos viajar no tempo, andamos para trás, muito para trás; o chão feito em calçada; as mesas, as cadeiras e os bancos trabalhados numa madeira despreocupada; o balcão enorme, com sessenta anos de vida; as pipas, imponentes e experientes, como pano de fundo; o teto de madeira, alto, bem alto; a louça sem caprichos, simples, porque comida boa não exige louça trabalhada e ali a comida pode vir em pratos básicos porque se derrete na boca, o vinho pode ser servido em copo sem pé, porque é muito bom, e as sobremesas parece que saíram dos fornos de nossas mães. É de comer e chorar por mais. É de se passar lá a tarde, com os joelhos debaixo da mesa, rodeados de gente boa, os funcionários e os proprietários fazem-nos sentir parte daquilo. É tão bom!
A conta? Quinze/vinte euros de barriga cheia.